Se você procurar informações sobre este parque, entenderá que ainda está fechado para visitação. Mas, apesar de o parque ter sido criado há menos de 20 anos, a população já usa sua área há muito tempo para visitação. Pudera! Há tanta beleza que seria difícil mantê-lo em segredo e fechado. Rios, cachoeiras, morros e picos, tem de tudo um pouco!

O parque nacional da Serra do Itajaí é enorme, sua área está espalhada por diversas cidades, mas os principais pontos de acesso estão em Blumenau e Guabiruba.

Na área de Blumenau, o IPAN (https://institutoparquedasnascentes.wordpress.com/) faz a gestão do Parque Municipal das Nascentes do Ribeirão Garcia, que foi criado antes do parque nacional e tem área sobreposta. A equipe faz um belíssimo trabalho de educação ambiental, manejo de trilhas e conservação.

Na área de Guabiruba a ASSEPAVI (https://www.assepavi.com.br/) faz um trabalho incrível junto aos demais órgãos públicos e privados, desenvolvendo o ecoturismo na região. Independente quando for visitar, comece pesquisando e contatando essas equipes.

Foi um dos parques em que vimos essas alianças ocorrerem de uma forma positiva para o desenvolvimento turístico e a conservação, sem falar no bem-estar gerado nos que visitam essa Unidade de Conservação. A Serra do Itajaí não pode ser vista ao longe como um paredão que geralmente conhecemos. Mas ao entrar nela e subir alguns de seus picos é possível ver a amplitude e importância dela.

Por onde você passa, há uma nascente, há um riacho, um rio. A maior parte deles correndo sobre pedras, daí o nome. Os rios são utilizados pelas populações locais para lazer tanto dentro como fora do parque. Dentro do parque é onde geralmente eles nascem, logo tendem a ser os melhores lugares para visitação, mas não são os únicos. Vale conhecer o entorno.

O que saber e fazer antes de ir ao Parque Nacional da Serra do Itajaí

  • Os principais acessos são por Blumenau (bairro Nova Rússia, 30-40 min do centro) e Guabiruba (30 min de Brusque)
  • Há acessos também por Apiúna e Botuverá, com menos atrativos
  • Há sobreposição com o Parque Municipal das Nascentes do Ribeirão Garcia perto de Blumenau; as trilhas são todas autoguiadas e é necessário passar por uma revista na entrada (objetos cortantes, utensílios que possam gerar fogo e álcool/drogas são proibidos; o acesso é por terra e não requer 4×4; não há estrutura de banheiros, lanchonete e restaurante nesse setor
  • Perto de Blumenau, o Ecoparque do Spitzkopf, de onde há acesso ao Morro de mesmo nome, está fechado por protocolo Covid e sem previsão de reabertura; o acesso é totalmente asfaltado
  • O Faxinal do Beppe requer autorização do ICMBio; a estrada é bem difícil, mão única e não permite paradas, recomendamos ir de bicicleta; não há estrutura de banheiros, lanchonete e restaurante nesse setor
  • Em Guabiruba as trilhas são autoguiadas, mas recomenda-se cuidado principalmente nas minas abandonadas (lanterna e conhecimento do local / acompanhamento de condutor); não há estrutura de banheiros, lanchonete e restaurante nesse setor
  • Em alguns pontos há sinal de 4G, na maior parte não há

Desde Blumenau é possível ir às Nascentes do Garcia, ao Spitzkopf e ao Faxinal do Beppe

O parque municipal das Nascentes do Ribeirão Garcia foi criado na década de 80 quando uma empresa já havia explorado toda a madeira de lei e ia derrubar o restante para plantio de pinus (https://pt.wikipedia.org/wiki/Pinus_elliottii) e eucaliptos (https://pt.wikipedia.org/wiki/Eucalyptus). Nesse momento a cidade de Blumenau e ONGs se mobilizaram para proteger as nascentes de água que hoje abastecem a cidade, criando o parque municipal. O parque nacional, quando criado, sobrepôs a área do parque municipal. Na prática, o parque é gerido hoje pelo IPAN, uma ONG que presta serviços ao município.

O IPAN é um exemplo de instituição

Comprometidos com a gestão e manejo do local, realizam um trabalho incrível de ambientação e educação ambiental. O parque geralmente abre somente aos finais de semana, mas se você enviar um email ou whatsapp (dados no site), pode ser que estejam lá e abram uma exceção. Fomos duas vezes e ficamos com vontade de voltar mais. Afinal, é ao lado da cidade de Blumenau. O pagamento (R$20) deve ser feito em dinheiro, não há sinal para recebimento de PIX.

A trilha do Morro do Sapo não é das mais fáceis, principalmente no verão. Fazia muito calor e não há muitos pontos de água na ida, o que deixa o trajeto ainda mais cansativo. Além das palmeiras jussaras enormes, tivemos o privilégio de ver o sapo que dá nome ao morro. Foi pura sorte, de repente ele pulou na nossa frente na trilha e se mostrou. Se não fosse isso, jamais teríamos visto, ele se camufla muito bem.

A vista lá de cima é linda, mas ainda fazia muito calor, então voltamos pela sombra até a trilha das lagoas. Nas lagoas não é possível entrar, mas estão justo no retorno da trilha do Morro do Sapo e por ali passa o ribeirão com um ponto perfeito para banho. Ficamos a maior parte da tarde por lá.

A trilha da chuva é mais curta e é um circuito de uns 3km. Ao longo da trilha, além de passar por uma mata mais fechada, cruzamos rios umas 6 vezes, com muitas aves no caminho. Essa trilha chega à antiga sede da empresa madeireira que ocupava a área antes de ser criado o parque, de onde é possível ter a noção do que foi salvo ao não terem retirado a mata nativa para plantio de eucalipto. Não fosse isso, possivelmente grande parte da biodiversidade (bromélias, palmeiras, xaxins, entre outros) teria se perdido, bem como a fonte de água do ribeirão.

O icônico Morro Spitzkopf estava fechado para visitação

O morro Spitzkopf é uma referência no local. No entanto, está fechado para visita desde o início da pandemia. Conversamos com a proprietária do terreno, ainda não indenizada, que nos informou que muitas pessoas ainda entram / pulam a cerca sem autorização. Convém lembrar que apesar de ser área de parque nacional, essa propriedade pertence a ela e devemos seguir e respeitar suas regras.

O faxinal do Beppe não correspondeu às nossas expectativas. Acreditávamos que passando pelo coração geográfico do parque veríamos uma mata bem mais protegida. No entanto, essa área foi habitada por uma comunidade que foi indenizada há cerca de 8-10 anos. O local ficou abandonado e algumas construções foram depredadas. Some-se a isso o fato de que a natureza ainda não teve tempo de se recuperar.

O acesso ao faxinal requer autorização do ICMBio por passar por área militar (pode ser solicitada por email: parnaserradoitajai.sc@icmbio.gov.br). O começo da estrada é lindo, vai ao longo de um rio. Como não era permitido parar e achávamos que o coração do parque seria ainda mais bonito, seguimos. O caminho foi sofrido com um 4×4, depois soubemos que a melhor forma de visitar é de bicicleta. Não é uma pedalada fácil, mas vai ao longo do rio e em sombra, de forma a aproveitar efetivamente a beleza da natureza.

A saída do faxinal é por Apiúna e não era o que esperávamos, mais uma vez. São diversas fazendas com criação de gado, plantação de pinus e eucaliptos na área do parque. Áreas ainda não indenizadas, que mostram como podia ser o faxinal antes da regularização fundiária.

Na nossa opinião, se não for de bicicleta, não vale a pena ir ao faxinal do Beppe

Na região de Gabiruba nos surpreendemos positivamente mais uma vez. Foi ali que percebemos que não tínhamos idéia do que podíamos encontrar em Santa Catarina. Rios e cachoeiras de mata atlântica, com cânions e quedas d’água, mata muito bem protegida.

Primeiro fomos até o Morro da Gueba. Esse nome foi dado pelos imigrantes italianos que moravam no local e eram pegos de supresa pela chuva/umidade que vem do mar, chamada de gueba. O começo da trilha até a gueba, apesar de fácil, não é tão bonito. Rodeado de plantações de feijão e eucaliptos, não traz aquela sensação de estar na mata, na floresta.

Muito quente, seco e sem animais, totalmente diferente da mata que vem depois de passar pelo morro da gueba. Uma mata mais protegida, com biodiversidade, sombra, água, onde os animais gostam de ficar. Recomendamos ir um pouco além do morro da gueba para ter a sensação e perceber a diferença entre as matas. Não há nada que substitua a sensação de estar na mata atlântica.

A ASSEPAVI faz um papel fundamental de ecoturismo em Guabiruba

No dia seguinte fomos com o Léo da ASSEPAVI visitar as minas abandonadas, o rio perdido e o lago azul. As minas foram uma tentativa frustrada de uma empresa canadense explorar ouro na região. Foram escavadas pelo menos duas minas, uma delas tem acesso permitido e seguro. No entanto, trata-se de um lugar não esculpido naturalmente, então há riscos e é importante estar ciente deles e dos protocolos de segurança. A companhia do Léo foi importante para nos transmitir a história do lugar, hoje usado para visitação e educação ambiental.

Seguimos pelo rio perdido acima, em uma caminhada de cerca de 6km até o lago azul. O lago é lindíssimo, mas o caminho até ele é tão belo quanto. Passamos por inúmeras cachoeiras, poços e cânions, a cada curva o rio abria ainda mais beleza. Se tem algo que aprendemos e valorizamos cada vez mais nesta expedição é fazer trilhas pelo leito dos rios. Nem sempre é possível ou seguro, mas quando é, é o melhor caminho.

Nossa dica deste parque é: vá e surpreenda-se com uma Santa Catarina que poucos conhecem. Uma beleza digna de parque nacional, a conjunção da beleza e da importância regidos pela atuação impecável da sociedade civil em fazer as pontes e suprir as necessidades de conservação e ecoturismo.

No link você pode acessar o mapa por onde passamos e ver em detalhes onde fica cada localidade citada acima:

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