Antes de ler este post, recomendamos ler o post sobre o Parque Nacional de Aparados da Serra, que introduz os dois parques e explica os motivos por serem os parques-irmãos das bordas cênicas: https://entreparquesbr.com.br/aparados-da-serra/

O que saber e fazer antes de ir ao Parque Nacional de Serra Geral

  • O parque possui quatro principais atrativos: cânion Fortaleza por Cambará do Sul RS e Trilhas do interior dos Cânions Malacara, Churriado e Fortaleza por Praia Grande SC
  • O acesso a todas elas é por estradas de terra em boas condições, não requerem 4×4
  • Apenas a visitação ao Cânion Fortaleza pelo planalto é gerida pela Urbia
  • Os ingressos do Fortaleza podem ser comprados online ou na portaria
  • Há estrutura de banheiros, uma lojinha com café, wifi e ambulância no Fortaleza, não há no restante
  • Não há sinal 4G na maior parte do parque

Cânion Fortaleza

Este é o maior cânion da região, chegando a 900 metros de profundidade e 1.500 metros de largura. Seu formato em V e suas paredes repletas de vegetação indicam que este cânion é dos mais antigos e que hoje sofre menos transformações.

Há quatro pontos de observação do cânion Fortaleza. A trilha para o mirante tem cerca de 1,5km e uma elevação de menos de 100 metros. De lá de cima é possível avistar a maior parte do cânion e a praia, em dias claros. Mas lembre-se de ir cedo e direto para lá. No primeiro dia em que fomos, chegamos tarde e a visão fechou completamente enquanto fazíamos a trilha. E não voltou a abrir mais.

A trilha da borda sul liga o mirante principal ao mirante da cachoeira do Tigre Preto e precisa ser percorrida com precaução em dias nublados, quando tanto a borda do cânion quanto o gado (inclusive búfalos) que invade o parque, podem surpreender, assustar e causar acidentes.

Mais próximo à entrada estão os acessos à Pedra do Segredo e trilha da cachoeira do Tigre Preto. A primeira tem cerca de 1km e leva a um ponto em que a maior extensão do cânion pode ser vista. O segredo da pedra está em que ela parece se equilibrar em uma pequena pedra, mas é tudo uma coisa só, formada por lava vulcânica, que tomou esse formato pela ação dos ventos e água.

A vista da cachoeira do Tigre Preto é de impressionar. A cachoeira fica abaixo da trilha que leva à Pedra do Segredo e começa em um rio largo e calmo. São diversas queda sucessivas avistadas desde um campo florido.

Trilha do interior do Cânion Malacara

Ficamos com a impressão de que aqueles que não reservam o Rio do Boi com antecedência optam por esta trilha. É mais curta que o Rio do Boi e não está sob gestão da Urbia, apesar de termos visto uma estrutura em construção que aparentava ser um novo controle (e não da Urbia, com quem falamos e desconheciam esse empreendimento).

O início da trilha é através do rio, mas a maior parte ocorre em trilhas muito bem demarcadas pela mata que margeia o rio. Em alguns pontos há mirantes das montanhas. Definimos um ponto como nosso ponto de chegada, onde havia uma cachoeira, alguns poços para banho e vista das montanhas, mas ficamos com a impressão de que seria possível ir além, se tivéssemos tentado.

Trilha do interior do Cânion Churriado

Esta foi a trilha mais fácil de todas as que percorrem o interior dos cânions pelos rios. O nível do rio foi o mais baixo, na altura da canela. Mas este também era o cânion mais estreito, então a atenção estava redobrada com o tempo, uma cabeça d’água poderia ser muito mais violenta.

Não havia trilha, a indicação que precisávamos era sobre a entrada do rio, o que fizemos por uma ponte, dado que uma pousada rio acima privatizou o acesso aos seus hóspedes, desinformando aqueles que visitam pelo dia.

Não há ponto de chegada nesta trilha, é um belo rio com pontos para banho / passar o dia a cada 200 – 500 metros. Sol, sombra, água calma, quedas d’água: há de tudo um pouco neste cânion do qual poucos falam.

Trilha do Tigre Preto (interior rio cânion Fortaleza)

Esta foi a trilha mais difícil de todas as que percorreram o interior dos cânions pelos rios. Primeiramente, não há trilha, trata-se de subir o rio pelo seu próprio leito. Há muitas pedras enormes que precisam ser contornadas ou puladas, de forma que as mãos são bastante acionadas. Havia muitas aranhas e lagartas nas pedras, além de algumas cobras. Com isto, colocar as mãos requeria uma grande atenção ao mesmo tempo que evitávamos escorregar no leito do rio.

Apesar de o rio ser largo, ele é coberto por uma vegetação bastante alta, que na maior parte dos trechos impede a vista para as montanhas que formam os cânions acima. Não chegamos nem perto da cachoeira do Tigre Preto, nem sabemos se é efetivamente possível chegar lá e voltar no mesmo dia, sabemos que acampamento não está permitido.

Chegamos até um poço amplo, com uma pedra metade no sol e metade na sombra, uma queda d’água e aproveitamos o nosso último dia de 2021 com esse visual maravilhoso.

Cânion dos Índios Coroados

A maior parte dos visitantes dos Índios Coroados passa rapidamente pelo local para tirar uma foto. Convém aproveitar a visita para observar a imensidão e a relação entre as partes alta e baixa dos parques, bem como a união entre Aparados da Serra e Serra Geral. A vista permite identificar o cânion Malacara ao longe, realçado pelo contraste das cores da montanha e do céu azul.

Mais dicas práticas de Serra Geral

O parque fecha às terças (mas o Aparados da Serra fecha às segundas e pode ser visitado às terças). O fenômeno da viração, quando as nuvens cobrem os cânions, é imprevisível, mas ocorre com menor frequência no outono/inverno e pela manhã. Recomendamos ir cedo, as chances de ver o cânion aberto são maiores.

A concessionária Urbia aceita que os ingressos sejam usados até 6 dias da data marcada para visitação, pergunte na portaria como está a visibilidade antes de utilizar seus ingressos.

Acesse o site do parque e leia o guia para visitantes antes de ir

https://www.icmbio.gov.br/parnaaparadosdaserra/guia-do-visitante.html

No link você pode acessar o mapa por onde passamos e ver em detalhes onde fica cada localidade citada acima:

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