Muita gente já ouviu falar do Superagui, mas poucos sabem que trata-se de um parque nacional e que é uma ilha, mesmo que artificial. O Superagui acaba sendo conhecido como um balneário onde os turistas vão em busca de ostras ou para andar pela imensa praia deserta. O que poucos sabem é que poucas unidades de conservação estão em faixas de areia como o Superagui. Além das dunas, há também lagoas, manguezais, restingas e florestas compondo o parque nacional.

Há duas ilhas principais e uma faixa de continente

Na Ilha do Superagui há uma comunidade, que fica fora da área do parque nacional, onde há uma série de pousadas e campings. É ali onde chegam os barcos vindos de Paranaguá (mais comum) ou Guaraqueçaba. Trata-se de uma vila de pescadores que está sofrendo com a redução da faixa de areia / avanço do mar e com o aumento no volume de construções. A comunidade tem tentado conter o avanço de construções de pessoas de fora, que, segundo viram ocorrer em outros locais, contam com a população local para empregos com menor qualificação em resorts.

A Ilha das Peças tem uma outra configuração, lá foram construídas casas de condomínios luxuosos com vista para o mar. Como temos visto em outros parques nacionais, não há resposta certa. A realidade é que seria importante uma visão de longo prazo que leve em consideração a comunidade local e a conservação do meio ambiente, mas as ações são mais imediatistas.

Fato que no parque nacional do Superagui é possível avistar animais como o mico-leão-da-cara-preta, o papagaio-da-cara-roxa, o jacaré-do-papo-amarelo, guarás, entre outros. E conhecer a diferença da vegetação entre a areia e as partes mais internas das ilhas.

A Ilha do Superagui é artificial, poucos sabem disso

Era ligada continente por uma faixa de 4km, o chamado Varadouro. O Varadouro foi aberto em 1953 e deixou parte dos animais ilhados. O objetivo foi permitir a navegação completa, inclusive nesse trecho por onde os barqueiros arrastavam os seus barcos para seguir viagem.

Além de rico em natureza e ter uma fauna bastante específica, o Superagui fica no estuário do Paranaguá, que traz da serra do mar muitos nutrientes, tornando o mar bastante rico e possibilitando observar o fenômeno do fitoplâncton. O ideal é visitar o parque durante a lua nova, quando o fenômeno ocorre com maior intensidade.

Em nossa visita, infelizmente não conseguimos visitar tudo o que esperávamos. Fomos surpreendidos por fortes chuvas que tornaram as saídas de barco arriscadas. Além disso, no único dia de sol que pegamos, fomos bastante perseguidos pelas butucas, ou mutucas, como chamariam os paulistas. São insetos grandes que nos perseguem até que conseguem nos picar. A picada é um pouco dolorida, mas o excesso delas pode causar irritação e reações a quem é alérgico.

Uma ilha de muito pouca sombra!

Recomendamos levar sempre muito protetor solar, pois há pouca sombra, e muito repelente, sempre priorizando os que contêm produtos naturais, uma vez que você provavelmente entrará na água dos rios, da lagoa ou do mar.

O parque nacional do Superagui conta com uma base do ICMBio na ilha, em direção à lagoa da ponta sul. Durante os dias de semana é possível colher mais informações e um panfleto sobre o parque. Mas também com um site que explica bastante da história e dos principais atrativos do parque: https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/biodiversidade/unidade-de-conservacao/unidades-de-biomas/marinho/lista-de-ucs/parna-do-superagui/informacoes-sobre-visitacao-2013-parna-do-superagui

No litoral do Paraná existem quatro parques nacionais, dos quais o Superagui é o mais antigo. Todos fazem parte da chamada Grande Reserva da Mata Atlântica, o maior contínuo de Mata Atlântica de pé, que vai de SP a SC, com sua maior parte no PR. Trata-se de um mosaico de Unidades de Conservação federais, estaduais e privadas, que garante a proteção do ambiente como um todo.

O Parque Nacional do Superagui faz parte da Grande Reserva Mata Atlântica

O Superagui está no “final da cadeia” da Grande Reserva Mata Atlântica, servida pela segunda maior baía do país, Lagamar: http://grandereservamataatlantica.com.br/turismo/setor-serra-do-mar-lagamar/portal-das-ilhas/

O que saber e fazer antes de ir ao Parque Nacional do Superagui:

  • Não há controle de acesso ou cobrança de ingresso
  • Não há transporte fornecido pelo ICMBio para visitação das ilhas, o transporte deve ser feito com barqueiros particulares
  • Diariamente há saídas do Superagui para Paranaguá logo cedo (7-8h) e no sentido inverso logo antes ou logo após o meio dia; não conte que encontrará barcos para levá-lo, contate um barqueiro antes
  • As vilas não estão inseridas na área do parque; nelas você encontra pousadas, campings, lanchonetes e mercados
  • Fomos informados que a água não é potável, vale a pena se certificar e levar um galão para não comprar diversas garrafas plásticas de meio litro (pelo meio ambiente e pelo seu bolso!)
  • Na área do parque não há banheiros, restaurantes ou lanchonetes
  • As trilhas não são bem sinalizadas, mas em geral não há como se perder
  • Há sinal 4G em alguns pontos da ilha, na maior parte não há
  • Em novembro há um inseto conhecido por butuca que torna a visita desagradável; nos outros meses não ocorre
  • A maior parte dos passeios requer barcos, o que pode tornar a visitação custosa; procure formar grupos e diluir custos
  • Há muito pouca sombra e não vimos fontes naturais de água, proteja-se muito do sol

A visitação ao parque não pode deixar de incluir um passeio pela praia deserta, seja a pé ou de bicicleta. Na ilha há poucas bicicletas para locação. Se tiver a sua, vale a pena levar no barco! A praia tem mais de 30 km de extensão, mas não é só isso que chama a atenção.

Do mar para dentro há uma série de camadas paralelas que criam uma complementariedade entre si: a água do mar, a areia da praia, a primeira faixa de restinga, um alagado (também chamado de banhado), mais restinga, até a floresta de planície, com árvores mais altas como conhecemos.

Mar, areia, restinga, alagado, restinga e floresta: uma sucessão de formações

Na restinga é possível avistar uma série de aves e uma vegetação mais rasteira / arbustiva. É lá onde podem ser vistas orquídeas que brotam naturalmente. Essa área pode ser facilmente alagada, vale a pena ir preparado para sujar os calçados de lama.

O atrativo mais convidativo está na lagoa da Ilha do Superagui. Bastante próxima à Vila do Superagui, logo após a sede do ICMBio, essa lagoa formou-se há poucos anos quando as areias da praia se movimentaram, fechando a saída de um rio. A água procurou outro caminho, formando uma lagoa de água salobra e deliciosa para banho, bem como uma saída para o outro lado do anterior. A lagoa tem uma faixa de areia branca, mas pouca sombra, como em todo o Superagui.

A lagoa do Superagui é um dos locais para banho e avistamento de aves

Essa mudança não é exclusiva desse ponto. Nos últimos anos a faixa de areia da Vila diminuiu drasticamente, levando construções e deixando todos mais apertados no que restou. Na barra do Ararapira, que fica no final da praia deserta, a areia foi depositada e fechou uma saída do canal. Uma abertura foi feita naturalmente no meio da Ilha do Cardoso, que é a continuação da faixa de areia mais ao norte, no estado de SP, no parque estadual com o mesmo nome.

No link você pode acessar o mapa por onde passamos e ver em detalhes onde fica cada localidade citada acima:

3 comentários em “Superagui: novembro/21 – o parque da praia deserta

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